Cinema Diletante

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Cinema Parasiso - 1988

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O NOVO MARACANÃ E O SAUDOSISMO

  O Maracanã ainda se ajeita, e há muito pra ajeitar até o fim do ano, especialmente em seu entorno. Aliás, podemos trocar entorno por "transtorno", que define mais o que são essas obras, nesse momento, para os moradores do bairro. De qualquer forma, entre todos os problemas e o lamentával atraso (a previsão inicial era dezembro de 2012), surgiu enfim a nova cara do Estádio Mário Filho, o Maracanã. Ainda sem o acabamento total, ainda um pouco pálido, mas com a cara redesenhada.

  Fiquei satisfeito, acho que vai ficar realmente bonito. Foi boa a idéia das palmeiras contornando. Me parece que não teremos mais tantos muros em volta do estádio, isso também é bom. Espero que venha junto da obra uma boa logística para receber aqueles que visitam o estádio, que não são poucos. E acho que é bom também darmos uma rezada forte nesse retorno, torcendo para que tudo tenha sido feito de forma correta, evitando assim "acidentes desagradáveis". Em outras palavras, evitando tragédias.

  Muito bem. O palco estará pronto para os grandes jogos. Honestamente não me interessam os mega eventos que vem por aí, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Pra mim é só um desfile de estrangeiros, incluindo nossa seleção, que aliás não vem jogando porcaria nenhuma e só tem gente que joga fora do Brasil. Os organizadores é que saem lucrando. Minha questão é o depois da Copa. Eu quero saber sobre os jogos daqui, em especial o Campeonato Brasileiro de clubes.

  Uma coisa me parece muito clara e ainda pouco falada: Vai ficar bem caro assistir futebol daqui pra frente. Em outras palavras, vão afastar a "ralé" dos estádios. Infelizmente. O que isso quer dizer? O torcedor apaixonado, aquele que se sacrifica para acompanhar o time pelo qual torce, que tem aí seu raro momento de grandeza, na vitória de seu time. Não estou falando do fanático não. Isso é outra coisa. Nem estou dizendo que é certo ter o futebol como fuga para os problemas da vida.

  Só que aqui nesse país tem "problemas da vida" demais. Tem muita pobreza. Tem muita coisa que deveria funcionar e não funciona. Tem muita coisa que não deveria ser problema e acaba sendo, porque o dinheiro que era pra resolver o tal problema foi pro bolso de algum ladrão de colarinho, e bibibí, bobobó, aquilo que estamos de saco cheio de saber...

  O fato é que futebol no Brasil é definido por paixão nacional. Como é o Carnaval, que já afastou a "ralé" de seu evento mais nobre, que é o Desfile das Escolas de Samba. Escolas de Samba que foram inventadas pela própria "Ralé".

  Tá bem, o que os caras defendem? Que os clubes de futebol vão faturar mais (será?), o povo agora está com mais dinheiro e poderá comprar o ingresso (hehehe, essa é boa), é preciso profissionalizar o futebol de uma vez e evoluir, seguir o exemplo da Europa (e quem serão os responsáveis por este profissionalismo? Os amadores que hoje dirigem os clubes?).

   Ora, os clubes de futebol são, em geral, oportunidade de faturamento para quem os dirige. Estão todos em dívida, mas sempre em época de eleição o pau come para escolher o presidente. Porque será? Eles são tão apaixonados assim? Que coisa bonita... Hãrã...    

   Eu sei, estou impregnado pelo antigo futebol carioca, claro. Estou ainda enfeitaçado por aquele Maracanã de arquibancadas de cimento, sem divisões entre as torcidas (só um cordão de policiais separava as massas),  por aquele torcedor apaixonado, que tinha ingênua e sadia rivalidade com seus oponentes e impregnado por um gosto apaixonante de amadorismo que faz diferença em tudo que fazemos em nossas vidas.

   Morreu o Rei? Salve o Rei que vai chegar!

   Só um à parte: Questão de prova de vestibular - conhecimentos gerais: "a Fifa se juntou ao Governo Brasileiro na "farra das obras públicas", faturando muito às custas dos superfaturamentos e da nossa passividade". Verdadeiro ou falso?

   O RIDÍCULO TRANSPORTE PÚBLICO NO RIO DE JANEIRO

  Pois é, bem diante do Maraca, onde se gasta perto de um bilhão na reforma, está a estação de trem do Maracanã. Como muitos já sabem, estou trabalando em Bangu, desde o ano passado, dando aulas de música pelo município na escola "Julio de Mesquita", onde fui muito bem recebido. Em minhas manhãs sempre pego o trem na estação Maracanã. Como pego o tráfego no sentido contrário, não tenho problema com a lotação do trem, que é uma questão seríssima e carente de discussão.

  Mesmo com lotação tranquila, a travessia de trem, por vezes, é um tanto tensa. Embora tenhamos alguns carros novos e bem equipados, ainda temos muitos "calhambeques" desfilando e ameaçando demais seus passageiros. Não é por acaso que vira e mexe acontece um descarrilhamento. Sempre que dá eu fujo dos carros mais velhos.

  Mas quero falar é sobre o que me aconteceu na terça feira, 29 de abril, na estação. Cheguei, comprei a passagem e fui passar na catraca. Não passou. Voltei ao trocador. Fomos de volta à catraca, que novamente não funcionou. Ele abriu a catraca, mexeu em fios, fechou novamente e... nada. Nisso eu já perdi um trem. E o sistema de som anunciou que chegaria em seguida mais um. Continuamos tentando fazer a tal catraca funcionar. Passou o 2º trem. Virei pro trocador e pedi que ele abrisse o portão e me desse acesso pro embarque. Ele disse que tinha de esperar pela ordem de seu supervisor. Fazer o que, é o trabalho dele... Ai que me dei conta de uma coisa:  só havia uma catraca de passagem na estação. Caramba, será que não teve um cara pra perguntar "e se a catraca pifar? Os passageiros vão fazer fila esperando que se concerte?". Um negócio ridúculo. E aí olhei para o biolionário Maracanã, que parecia dizer: vai lá, otário, se vira aí pra chegar no trabalho, que aqui o dinheiro só vai pra onde interessa aos pilantras espertalhões.

    Abraços a todos!
  
 

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