Cinema Diletante

Cinema Diletante
Cinema Parasiso - 1988

sexta-feira, 31 de maio de 2013

COLETIVO CHAMA - UM PORTAL PARA FORA DA MESMICE

  Bom, sobre o que eu disse no texto anterior quanto à novidades em nossa canção, você me pergunta: "Mas Kneip, sobre o "chover no molhado", diz aí, quem está fazendo algo de novo em nossa canção?"

  Claro, a pergunta é pertinente. Essa galera do diferente não tem aparecido na mídia, é quase um caso de Arquivo X, mas está por aí. Não queria citar nomes, mas aí vão dois: Kiko Dinucci, em São Paulo, e Ivo Senra, no Rio de Janeiro. Em Minas, em Brasília, Pernambuco, também estão. Mas como moro no Rio, falarei mais sobre os daqui.

  Querem saber onde eles estão? Pois uma boa dica é ligar o seu rádio na Roquete Pinto - 94,1 FM - nas 6ªs feiras às 20:00hs. É o horário do programa do Coletivo Chama, a Rádio Chama.

  A Radio Chama é um portal para o alternativo, para o diferente. É uma valvula de escape para quem quer fugir da mesmice do repertório de músicas convencionais das rádios comerciais. Não que este repertório seja necessariamente ruim, mas é sempre o de sempre. Em geral, enjoativo.

   Produzido pelos talentosos Thiago Amud, Ivo Senra, Thiago Thiago de Mello, Sergio Krakowski, Renato Frazão, Pedro Moraes e Cezar Altai, o programa, que já fez aniversário, expõe um rico mosaico, abrindo caminho para talentos totalmente ignorados pela maquina de mercado musical e colocando para quem quiser ouvir um ponto final sobre a inexistência de algo diferente na nossa canção.

  Mas é preciso abrir a mente, o coração e as perspectivas. A busca é por um negócio que se assemelha à assinatura. Como a Nouvelle Vague buscava um negócio chamado "cinema de autor", onde você vê um filme que nunca viu, porque é feito de uma forma não convencional. A música brasileira também é assim. Sempre tivemos autores de assinatura própria, que transgrediam uma forma para criar outra. A bossa nova (falei que estou cansado dela? Pois é...rs) é um exemplo. Na época que a bossa nova surgiu, foi dado um chega pra lá em grandes nomes da música brasileira, taxados de "ultrapassados". Injusto, mas isso aconterce. A bossa nova foi um importante marco em nossa canção e é exemplo a ser seguido. Porém agora estamos em momento de nova virada.

  Assim como o Rádio Chama, há outras fontes de novidades espalhadas. É só fuçar, perguntar aqui e ali, investigar. Quem quiser se dispor, certamente encontrará.

  Não, os diferentes não são melhores do que ninguém. Porque tem "chover no molhado" que é maravilhoso mesmo. É  chuva de prata, com anjos tocando órgão e Deuses dançando. Mas em verdade, quando isso ocorre, prefiro acreditar que houve uma quebra qualquer de padrão. Alguma surpresa surgiu nessa "chuva" para que esse efeito aparecesse. Um raio atravessado, de outra dimensão, sei lá eu.

  Enfim, resumindo, nas 6ªs feiras - 20:00hs - tomem coragem e sintonizem seus rádios na Roquete Pinto - 94,1 FM. Ao invés de seguirem pelo caminho de sempre, como itinerário de ônibus, virem o volante para outra direção, pois muito mais existe além da linha do "sucesso de público", do "Prêmio Multishow", da MPB FM. É como o filme Meia Noite em Paris. Um portal para uma outra visão, uma que não é mostrada, uma porta secreta.

   Experimentem!

 MARACANÃ REINAUGURA NESTE DOMINGO

  Pois é, com muito entulho, canos soltos, fios e transtornos aos borbotões, teremos a temerária reabertura do Maracanã. Brasil e Inglaterra jogarão na arena Eike Batista, ou... digo..., jogarão no novo Maracanã. O Ministério Público tentou, em vão, o cancelamento do jogo.

  Para quem está longe pode parecer exagero a tentativa de cancelamento, mas o fato é que ainda há muita coisa em obra na área ao redor do estádio. O próprio estádio, que dizem já estar pronto, continua com "bicos" a serem aparados. Não deve acontecer nenhum problema, até porque é jogo de festa. Mas que existe risco, isso existe.

  Aliás, já se questiona como será no pós copa o Maracanã, com essa nova roupagem, mais cara, mais sofisticada. E dentro do campo, mais vulnerável. Com ingressos caríssimos, o público vai diminuir. É provável que o preço tenha que cair, para o público voltar. Mas claramente a intenção é elitizar o estádio. A segurança do campo de jogo diminuiu, já que não há mais alambrado nem fosso. Vamos ver quando a bola rolar como isso tudo irá funcionar.

  É o Brasil, o País do futuro... Que maravilha! Imagina na copa...
   

 

  

   

  

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A NOUVELLE VAGUE DA MUSICA BRASILEIRA

  Alô amigos,
  Muito boa noite (escrevo agora, às 19:46 de terça feira - 29/05)...

  Bom, muito tenho pensado sobre nós, os compositores. Em especial sobre a questão do tal "processo criativo". E queria levantar uma questão sobre isso, sem citar nome de ninguém (isso não vem ao caso), fazendo um paralelo do nosso momento com a Nouvelle Vague, o importante movimento do cinema francês.

  Adquiri há poucos dias os clássicos da Nouvelle Vague, "Acossado" e "Hiroshima meu amor", que foram relançados pela editora Versatil. As duas edições vieram com ótimo material de extras, incluindo várias entrevistas e matérias esclarecedoras sobre os cineastas que fizeram parte desse movimento.

  Quando se fala em Nouvelle Vague, se fala em "quebra de padrões", "Narrativa fragmentada", "Oposição ao universo bem comportado do cinema convencional", "cinema autoral", "rompimento com gerações de cineastas consagrados". Se achavam, né?! rs

  Trazendo essas idéias para o nosso momento musical (principalmente as canções), acho que "quebra" é uma palavra urgente. E vejo, ainda bem, gente procurando isso o tempo todo. Às vezes conseguindo resultado interessante, às vezes não. Mas sempre buscando. Alguns rompendo mais com a tradição, outros menos. Alguns mais pretensiosos, outros menos. Estão por aí, em São Paulo, em Minas, em Pernambuco, aqui pelo Rio, enfim.

  Honestamente, hoje eu prefiro ouvir essa turma do que ouvir pela milésima vez clássicos da bossa nova, do samba, tributos aos mestres da música...

  Não, agora quero saber da novidade. Eu conheço alguns que me ensinaram muitas delas, graças a Deus. Gente mais nova e gente mais velha. Tem até um mais velho, aqui do Rio, que nem sabe, mas é quem puxa o cordão de todos nós que estamos nessa jornada de busca.

  E esse povo todo pode passar totalmente em branco, sem que ninguém consiga se destacar. Da mesma forma que o Dunga foi campeão do mundo e Zico, Falcão e Sócrates não foram.

   Podem dizer que isso significa pedantismo, pretensão, papo de intelectual, tudo bem. Pode até ser. A galera da Nouvelle Vague era isso mesmo. Também foram assim Orson Welles e Hitchcok, e também são assim Tarantino e Lars Von Trier. Já expus minha opinião aqui de que arte implica pretensão sempre. Mas agora gostaria de me corrigir: mais do que pretensão, arte implica CORAGEM. Ocorre que alguns corajosos são bem pretensiosos também. Mesmo assim, falando de arte, prefiro estes aos que chovem no molhado.

FALANDO EM LARS VON TRIER

  Tive por muito tempo preconceito com o tal do Lars Von Trier. Aquele negócio do não vi e não gostei. É uma merda isso, a gente perde um bocado de coisa interessante.

  Pois é, mas um filme dele em especial, que não tinha visto e não tinha gostado, não me saía da cabeça. Era o "Dançando no escuro", que tem como estrela a cantora Bjork, que eu ainda não tinha aprendido a gostar. Aí, no sábado passado, resolvi ver em sequencia o "Dançando no escuro" seguido de "Ondas do destino", outro aclamado filme dele.

  Fui esfaqueado duas vezes. O cara é dilacerante. Foi difícil, sofrido, mas ao final tive que me render. São dois filmaços. "Dançando no escuro" é um dos maiores filmes que já vi. Terrivelmente triste. Mas triste mesmo. Porém, sensacional. Como também é "Ondas do destino". Difícil dizer qual é melhor. Mas acho que fico com "Dançando no escuro" pela Bjork, de quem virei admirador.

  Acabei por ver também "Europa", filme que ele fez sobre a segunda guerra mundial e que também é muito bom. Viva o artista inquieto!  

sábado, 4 de maio de 2013

O ANTIGO MUSEU DO ÍNDIO E O ENGENHÃO

  Meus amigos, o Engenhão foi interditado por risco de desabamento em sua estrutura, certo? Pois é, e agora ninguém mais fala coisa nenhuma sobre isso. Tudo certo. Afinal, o Engenhão não será utilizado em nenhuma das duas importantes compoteições internacionais que vem aí. O foco de imprensa, governo e público está na novidade colossal chamada Maracanã.

  A questão é: com nosso maior estádio pronto, o que acontece com o Engenhão? O que tem sido feito para resolver o grave problema na estrutura do Engenhão? Pelo que parece, nada. Da mesma forma que nada tem sido feito em relação ao impasse com o elefante branco chamado Cidade da Música, na Barra da Tijuca.

   Pergunto: terá o Engenhão o mesmo destino trágico de abandono que atingiu o antigo Museu do Índio (vulgo Aldeia Maracanã)? Confesso que essa possibilidade me assusta.

  Mas acho que isso mudará logo. Podem apostar que logo algum político bom samaritano irá tomar  frente com a iniciativa de recuperar estes dois "monumentais símbolos de nossa cidade". Claro, mediante uma boa grana que entrará em seus bolsos para "financiar" sua generosidade. Isso significa milhões, provavelmente bilhões, que sairão dos cofres públicos para não ajudar em nada na vida da população. Gosto de futrebol, mas, na real, o Brasil tem coisas muito mais importantes a cuidar, pelo amor de Deus!

  E a Fifa? Putz, o que é a Fifa? Ela determina tudo, manda fazer, desfazer e refazer, corta aqui, quebra lá... Não, mas espere, tem um motivo muito nobre: o legado ddeixado depois (??). O papo é sempre "Ah, o Brasil foi comtemplado com a maravilhosa oportunidade de voltar a sediar uma copa do Mundo, que deixará um legado de coisas positivas para a cidade". A Fifa virou o Messias? É só seguir o que eles mandam e tudo se resolverá para o abençoado país escolhido para pagar a festa?

  Cara, o Brasil não precisa dessas esmolas de merda. Precisa é afastar os ladrões, limpar a casa. O país melhora porque tem condição de melhorar, porque a população fez por onde. Não melhora porque um punhado de políticos fez uma emenda, ou criou uma lei qualquer, que geralmente beneficia apenas a ele e seus comparsas. De fato, de vez em quando se faz algo no meio político digno de elogios, mas daí a colocar isso como salvação e seus autores como heróis... Porquê? Que se foda a porra da Copa do Mundo! Que se fodam as Olimpíadas! Ah, os esportes amadores (amadores??).  Eu quero é saber da educação, da saúde e da cultura. Ah, a cultura! Está em processo de extermínio... Sorte é que, graças a Deus, ainda temos alguma resistência, grandes cineastas, compositores, escritores e artistas de primeira grandeza insistem em aparecer. Difícil é explicar como, diante do quadro atual...

  Eu só tenho reclamado ultimamente, né? Devo estar ficando velho... Ou talvez esteja me dando conta de algumas coisas. Questões que fazem parte de um lado político com o qual eu nunca quis me envolver. Mas o calo está incomodando bastante ultimamente.

  Cheguei à conclusão, finalmente, de que o que eu faço não é música popular. Música popular hoje, aquelas mais cantadas e conhecidas, aquelas que tem o maior público, são as músicas que aparecem no programa "Esquenta", da rede Globo. De fato, o que tenho feito de música não se enquadra nesse caso. E sendo assim, tenho que entender pra onde devo levar essa minha música. Vivendo e aprendendo...

  Abraços a todos!

 
    

  

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O NOVO MARACANÃ E O SAUDOSISMO

  O Maracanã ainda se ajeita, e há muito pra ajeitar até o fim do ano, especialmente em seu entorno. Aliás, podemos trocar entorno por "transtorno", que define mais o que são essas obras, nesse momento, para os moradores do bairro. De qualquer forma, entre todos os problemas e o lamentával atraso (a previsão inicial era dezembro de 2012), surgiu enfim a nova cara do Estádio Mário Filho, o Maracanã. Ainda sem o acabamento total, ainda um pouco pálido, mas com a cara redesenhada.

  Fiquei satisfeito, acho que vai ficar realmente bonito. Foi boa a idéia das palmeiras contornando. Me parece que não teremos mais tantos muros em volta do estádio, isso também é bom. Espero que venha junto da obra uma boa logística para receber aqueles que visitam o estádio, que não são poucos. E acho que é bom também darmos uma rezada forte nesse retorno, torcendo para que tudo tenha sido feito de forma correta, evitando assim "acidentes desagradáveis". Em outras palavras, evitando tragédias.

  Muito bem. O palco estará pronto para os grandes jogos. Honestamente não me interessam os mega eventos que vem por aí, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Pra mim é só um desfile de estrangeiros, incluindo nossa seleção, que aliás não vem jogando porcaria nenhuma e só tem gente que joga fora do Brasil. Os organizadores é que saem lucrando. Minha questão é o depois da Copa. Eu quero saber sobre os jogos daqui, em especial o Campeonato Brasileiro de clubes.

  Uma coisa me parece muito clara e ainda pouco falada: Vai ficar bem caro assistir futebol daqui pra frente. Em outras palavras, vão afastar a "ralé" dos estádios. Infelizmente. O que isso quer dizer? O torcedor apaixonado, aquele que se sacrifica para acompanhar o time pelo qual torce, que tem aí seu raro momento de grandeza, na vitória de seu time. Não estou falando do fanático não. Isso é outra coisa. Nem estou dizendo que é certo ter o futebol como fuga para os problemas da vida.

  Só que aqui nesse país tem "problemas da vida" demais. Tem muita pobreza. Tem muita coisa que deveria funcionar e não funciona. Tem muita coisa que não deveria ser problema e acaba sendo, porque o dinheiro que era pra resolver o tal problema foi pro bolso de algum ladrão de colarinho, e bibibí, bobobó, aquilo que estamos de saco cheio de saber...

  O fato é que futebol no Brasil é definido por paixão nacional. Como é o Carnaval, que já afastou a "ralé" de seu evento mais nobre, que é o Desfile das Escolas de Samba. Escolas de Samba que foram inventadas pela própria "Ralé".

  Tá bem, o que os caras defendem? Que os clubes de futebol vão faturar mais (será?), o povo agora está com mais dinheiro e poderá comprar o ingresso (hehehe, essa é boa), é preciso profissionalizar o futebol de uma vez e evoluir, seguir o exemplo da Europa (e quem serão os responsáveis por este profissionalismo? Os amadores que hoje dirigem os clubes?).

   Ora, os clubes de futebol são, em geral, oportunidade de faturamento para quem os dirige. Estão todos em dívida, mas sempre em época de eleição o pau come para escolher o presidente. Porque será? Eles são tão apaixonados assim? Que coisa bonita... Hãrã...    

   Eu sei, estou impregnado pelo antigo futebol carioca, claro. Estou ainda enfeitaçado por aquele Maracanã de arquibancadas de cimento, sem divisões entre as torcidas (só um cordão de policiais separava as massas),  por aquele torcedor apaixonado, que tinha ingênua e sadia rivalidade com seus oponentes e impregnado por um gosto apaixonante de amadorismo que faz diferença em tudo que fazemos em nossas vidas.

   Morreu o Rei? Salve o Rei que vai chegar!

   Só um à parte: Questão de prova de vestibular - conhecimentos gerais: "a Fifa se juntou ao Governo Brasileiro na "farra das obras públicas", faturando muito às custas dos superfaturamentos e da nossa passividade". Verdadeiro ou falso?

   O RIDÍCULO TRANSPORTE PÚBLICO NO RIO DE JANEIRO

  Pois é, bem diante do Maraca, onde se gasta perto de um bilhão na reforma, está a estação de trem do Maracanã. Como muitos já sabem, estou trabalando em Bangu, desde o ano passado, dando aulas de música pelo município na escola "Julio de Mesquita", onde fui muito bem recebido. Em minhas manhãs sempre pego o trem na estação Maracanã. Como pego o tráfego no sentido contrário, não tenho problema com a lotação do trem, que é uma questão seríssima e carente de discussão.

  Mesmo com lotação tranquila, a travessia de trem, por vezes, é um tanto tensa. Embora tenhamos alguns carros novos e bem equipados, ainda temos muitos "calhambeques" desfilando e ameaçando demais seus passageiros. Não é por acaso que vira e mexe acontece um descarrilhamento. Sempre que dá eu fujo dos carros mais velhos.

  Mas quero falar é sobre o que me aconteceu na terça feira, 29 de abril, na estação. Cheguei, comprei a passagem e fui passar na catraca. Não passou. Voltei ao trocador. Fomos de volta à catraca, que novamente não funcionou. Ele abriu a catraca, mexeu em fios, fechou novamente e... nada. Nisso eu já perdi um trem. E o sistema de som anunciou que chegaria em seguida mais um. Continuamos tentando fazer a tal catraca funcionar. Passou o 2º trem. Virei pro trocador e pedi que ele abrisse o portão e me desse acesso pro embarque. Ele disse que tinha de esperar pela ordem de seu supervisor. Fazer o que, é o trabalho dele... Ai que me dei conta de uma coisa:  só havia uma catraca de passagem na estação. Caramba, será que não teve um cara pra perguntar "e se a catraca pifar? Os passageiros vão fazer fila esperando que se concerte?". Um negócio ridúculo. E aí olhei para o biolionário Maracanã, que parecia dizer: vai lá, otário, se vira aí pra chegar no trabalho, que aqui o dinheiro só vai pra onde interessa aos pilantras espertalhões.

    Abraços a todos!