Alô amigos,
Muito boa noite (escrevo agora, às 19:46 de terça feira - 29/05)...
Bom, muito tenho pensado sobre nós, os compositores. Em especial sobre a questão do tal "processo criativo". E queria levantar uma questão sobre isso, sem citar nome de ninguém (isso não vem ao caso), fazendo um paralelo do nosso momento com a Nouvelle Vague, o importante movimento do cinema francês.
Adquiri há poucos dias os clássicos da Nouvelle Vague, "Acossado" e "Hiroshima meu amor", que foram relançados pela editora Versatil. As duas edições vieram com ótimo material de extras, incluindo várias entrevistas e matérias esclarecedoras sobre os cineastas que fizeram parte desse movimento.
Quando se fala em Nouvelle Vague, se fala em "quebra de padrões", "Narrativa fragmentada", "Oposição ao universo bem comportado do cinema convencional", "cinema autoral", "rompimento com gerações de cineastas consagrados". Se achavam, né?! rs
Trazendo essas idéias para o nosso momento musical (principalmente as canções), acho que "quebra" é uma palavra urgente. E vejo, ainda bem, gente procurando isso o tempo todo. Às vezes conseguindo resultado interessante, às vezes não. Mas sempre buscando. Alguns rompendo mais com a tradição, outros menos. Alguns mais pretensiosos, outros menos. Estão por aí, em São Paulo, em Minas, em Pernambuco, aqui pelo Rio, enfim.
Honestamente, hoje eu prefiro ouvir essa turma do que ouvir pela milésima vez clássicos da bossa nova, do samba, tributos aos mestres da música...
Não, agora quero saber da novidade. Eu conheço alguns que me ensinaram muitas delas, graças a Deus. Gente mais nova e gente mais velha. Tem até um mais velho, aqui do Rio, que nem sabe, mas é quem puxa o cordão de todos nós que estamos nessa jornada de busca.
E esse povo todo pode passar totalmente em branco, sem que ninguém consiga se destacar. Da mesma forma que o Dunga foi campeão do mundo e Zico, Falcão e Sócrates não foram.
Podem dizer que isso significa pedantismo, pretensão, papo de intelectual, tudo bem. Pode até ser. A galera da Nouvelle Vague era isso mesmo. Também foram assim Orson Welles e Hitchcok, e também são assim Tarantino e Lars Von Trier. Já expus minha opinião aqui de que arte implica pretensão sempre. Mas agora gostaria de me corrigir: mais do que pretensão, arte implica CORAGEM. Ocorre que alguns corajosos são bem pretensiosos também. Mesmo assim, falando de arte, prefiro estes aos que chovem no molhado.
FALANDO EM LARS VON TRIER
Tive por muito tempo preconceito com o tal do Lars Von Trier. Aquele negócio do não vi e não gostei. É uma merda isso, a gente perde um bocado de coisa interessante.
Pois é, mas um filme dele em especial, que não tinha visto e não tinha gostado, não me saía da cabeça. Era o "Dançando no escuro", que tem como estrela a cantora Bjork, que eu ainda não tinha aprendido a gostar. Aí, no sábado passado, resolvi ver em sequencia o "Dançando no escuro" seguido de "Ondas do destino", outro aclamado filme dele.
Fui esfaqueado duas vezes. O cara é dilacerante. Foi difícil, sofrido, mas ao final tive que me render. São dois filmaços. "Dançando no escuro" é um dos maiores filmes que já vi. Terrivelmente triste. Mas triste mesmo. Porém, sensacional. Como também é "Ondas do destino". Difícil dizer qual é melhor. Mas acho que fico com "Dançando no escuro" pela Bjork, de quem virei admirador.
Acabei por ver também "Europa", filme que ele fez sobre a segunda guerra mundial e que também é muito bom. Viva o artista inquieto!
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