"HERÓI É UM DOS MELHORES DISCOS DE 2011" (Tarik de Souza)
O CD "HERÓI" DE EDU KNEIP E O MANTO SAGRADO
O CD "HERÓI" DE EDU KNEIP E O MANTO SAGRADO
ESTÁ A VENDA NAS SEGUINTE LOJAS:
Livraria da Travessa (Rio de Janeiro), Arlequim (Rio de Janeiro),
Livraria Cultura (Porto Alegre, São Paulo e Brasília)
VEJA O CLIPE DA MÚSICA "TRATAMENTO DE CHOQUE" EM:
http://www.youtube.com/watch?v=_okWFn0DNy4
Então, galera,
Muito boa noite/dia/madrugada,
E essa coisa do artista ser doidão? O cara tem que beber, fumar, pirar e depois é que ele vai ser artista. Caramba, não acho que tenha que ser assim não. Bom, cada um com o seu caminho, claro. Mas gosto mais do que disse o Villa-Lobos uma vez, quando perguntado sobre a origem de sua inspiração. O repórter perguntou: "Villa-Lobos, de onde vem a sua inspiração?". E o Corleone da música brasileira: "Inspiração? Pois é, tem gente que bebe pra dar inspiração, tem gente que deixa o cabelo crescer, essas coisas. Eu não, eu já nasci inspirado". rs. Caramba, alguém dirá, "mas ele não vale, né?" . Bom, de minha parte, eu digo que não nasci inspirado. Mas nasci louco. Deus sabe o que faz, se eu me metesse com drogas com certeza iria pro brejo logo, porque a minha loucura seria potencializada, imaginem...rs. De qualquer modo, se inspiração viesse de álcool e de drogas, o AA e as clínicas de desintoxicação estariam cheias de grandes artistas.
Bom, mas vamos ao que interessa e que é a motivação deste blog. Hoje quero falar um pouco das cantoras. As que conheço, excelentes e que estão com disco na praça.
Vamos por partes, como diria Jack. Vou abrir falando de uma batalhadora de muito talento, que vem lutando bastante, nunca deixando de ser a Dama que é, e fazendo uma carreira muito bonita. Falo de Mariana Baltar. Sou suspeitíssimo pra falar, afinal, trabalhei com ela e fui gravado por ela no disco recente, o ótimo "Mariana Baltar". Esse é um disco quase da Mariana com o Água de Moringa. A galera do Água está toda lá, mandando ver! O repertório é muito bonito, cheio de músicas inéditas e compositores novos. Entre estes, o locutor aqui, feliz feito pinto no lixo por estar nesse barco.
O disco abre com uma música irresistível, parceria de Cláudio Jorge e Nei Lopes, a "Tia Eulália na Xiba". Essa canção é um “tiro”, não há como não se contagiar pelo embalo dos versos e da levada, uma delícia de música, em que Mariana está muito à vontade! Depois vem "Maldita Cancela", mais lírica, outra maravilha, esta de Delcio Carvalho e Osório Peixoto. O disco segue em alto nível com "Sertão do Vale", de Zé Paulo Becker e Mauro Aguiar, um baião muito inspirado. Não vou falar das minhas canções que foram gravadas neste CD, por razões óbvias. Sobre isso, só digo que fiquei muito feliz e honrado! Falo sim sobre "Quando a esquina bifurca", música de Thiago Amud, que é uma das mais belas músicas que já ouvi na vida. Alguns grandes amigos compositores partilham desta mesma opinião. É uma canção que tem a grandeza clássica de um "Choro Bandido". Obra de arte! O Samba de Julião Pinheiro em parceria "paterna" com Paulo Cesar Pinheiro supreende muito. Não pelo pai, o PC, claro, um craque imortal. Mas Julião inaugura com brilho essa parceria (que promete) e se mostra um compositor de muita qualidade. O disco fecha com outra beleza de música que é "Jongo do irmão café", de Wilson Moreira e Nei Lopes. Outra canção irresistível. Todo o disco é muito bonito e vale demais uma escutada.
Muito bem, o disco seguinte a se comentar é de outra cantora, que gravou a parceria Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro. Tô falando de Ilessi, intérprete maravilhosa, raçuda e emocionante. O disco traz o indiscutível PC Pinheiro, um de nossos compositores mais importantes (um dos mais prolíficos da música brasileira), junto de um novo parceiro (mais um) de muito sensibilidade. No disco, o tom é o dos afro-sambas. Ilessi está à vontade, navegando entre belíssimas melodias e batuques arrebatadores. A música de abertura, “Brigador” é fortíssima, e é a cara da intérprete. A faixa seguinte, “Julgamento”, outra grande música (com Maurício Carrilho se juntando à parceria) segue na mesma linha de todo o disco, de densidade à flor da pela, até o seu fechamento com “A Sina do Negro”. O Bolero “Olhos Azuis”, raro momento de leveza do disco, dá uma pitada da versatilidade de Ilessi, que não é cantora de uma nota só, pelo contrário, é intérprete de estilos variados, antenada com o som do mundo.
Outra cantora talentosa e guerreira é minha grande amiga Letícia Tuí. Enquanto seu aguardado segundo disco não chega, falemos do 1°, o elogiado “Sambaião”. Contando com uma banda afinadíssima, que teve Alexandre Caldi (sopros e arranjos), Marcelo Caldi (teclados, acordeon e arranjos), Felipe Trotta (violão) e Carlos César (bateria) como base, e um repertório de frescor inédito, Letícia construiu um disco de estréia de alto nível. E com algumas ótimas surpresas. O baião “Cordel”, de Osvaldo G. Pereira e Beto Valente é sensacional! O “Samba do Morro”, de Augusto Ordine, é de beleza “Cartolística” (e isso é um senhor elogio!!), e “Lua de Pérola” de Alexandre Fróes, é de aroma praiano, que faz lembrar obras de Caymmy. O disco fecha dançante e festivo, com o samba “Bora”, do meu xará Edu Krieger. Que venha logo o 2° disco, Letícia!!
Amigos, é preciso falar de muita gente ainda, mas nesse momento o "locutor que vos escreve" precisa descansar um pouco. Voltarei a escrever em breve falando dos discos de Gabriel Geszti, de Joana Duah, de Mauro Aguiar e de quem mais eu puder falar. Inclusive do meu próprio trabalho. Aliás, me despeço com uma boa novidade: nessa semana que passou assinei contrato com a Delira, minha nova parceira, e meu disco novo será distribuído por eles, o que me deixou muito feliz! Vamo em frente! Beijos a todos!
Edu