Cinema Diletante

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Cinema Parasiso - 1988

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Que público é esse?

  Encontrar o público pro som que a gente faz é um dos maiores desafios que a vida apresenta. É quase como ganhar na loteria. Não falo daquele público de amigos e famíliares, que se sentem quase obrigados a "dar uma força". Falo do cara que não tem nenhuma intimidade com você, mas que, ouvindo o seu trabalho, te conhece melhor do que muitos de sua família.
 
  É gente que fala a mesma lingua do som da gente. Acredito que esse é o mistério do "ganhar a vida como compositor". O coração de cada um dos ouvintes do mundo tem seu som particular, que é mistura de muitos sons. É preciso abrir a caixa de som de coração por coração e ir encontrando aqueles com afinidades com a música que a gente faz. É claro que a mídia bagunça bastante a brincadeira, mas ela faz parte do jogo. Às vezes até ajuda...

  O repertório que a gente leva pros shows é sempre questionado antes, tipo "será que essa música já está batida?", "Essa música está funcionando?", ou "será que tem muita música pra baixo?". Bom, "música batida", nesse caso, é a que está batida para os amigos. Afinal estamos falando de compositores ainda desconhecidos... Mas se pegarmos os conhecidos, veremos alguns exemplos de artistas que repetiram muitas e muitas vezes o seu repertório nos mais representativos shows que fizeram. Tom Jobim e Chico Buarque cansaram de fazer shows com seus megasucessos "Garota de ipanema", "Wave", "A banda" e "Construção". Claro, nada mais natural. Afinal, ninguém quer jogar pra perder. Se essas músicas já estão no gosto do público, irão representar muito bem o trabalho de seus autores junto à opinião mais importante nessa história: a do próprio público.

  Mas voltando aos menos conhecidos, a rigor acredito que nenhuma música está batida. Não há um número considerável de ouvintes para se dizer que esta música é um sucesso e muito menos para dizer que ela está batida, já foi muito tocada... Os músicos da banda podem questionar isso, normal. Mas o fato é que será uma questão interna.

  O repertório do artista é semelhante à escalação de um time de futebol. Não se escolhe um time pelos melhores jogadores simplesmente. Se escolhe pelos melhores jogadores em cada função do jogo. Com a música é assim também. Não dá pra fazer um show com 15 músicas tristes ou alegres. Ou com 15 valsas ou 15 xotes... É preciso pensar bem para montar um roteiro interessante, que prenda a atenção do ouvinte. E isso não se faz com um repertório monocórdico, ou de um só clima.

  É, até parece que eu entendo muito disso... Bom, tudo que acabei de dizer pode até fazer sentido teoricamente, mas não significa nada na prática... Não há receita para se ganhar o público. Talvez só a verdade. E assim mesmo talvez...

  Mas voltando ao assunto, o lance é como achar esse público. Claro, uma pequena parte desse público eu já descobri, mas quero ele por inteiro! Estou mergulhando de cabeça nesse mistério, tô em companhia de Scooby Doo e de Goober (dos caçadores de fantasmas). Descobrirei esse segredo custe o que custar, nem que tenha de mudar de planeta!! rs  O público que gosta do som que eu faço está espalhado por aí e eu quero encontrá-lo de qualquer maneira. Esse é meu objetivo de vida a partir de agora.

  E tenho dito!

  Beijos e abraços

  Edu Kneip

2 comentários:

  1. Meu caro, Edu. Ao meu ver (e ao meu ouvir, é claro), você e Thiago Amud são os verdadeiros continuadores do que fazem e fizeram um Jobim, um Edu Lobo e/ou um Guinga. Continuadores que não repetem, bem entendido. Vcs dois são, na minha opinião, os mais dignos herdeiros da tradição melódica, rítmica e harmônica da Música Popular Brasileira, mas sem ser tradicionais. Vcs têm em mãos a renovação da nossa música, sobretudo da nossa canção e fazem essa renovação da maneira mais digna possível. Não consigo conceber artistas de sua estatura vivendo de algo que não música, que não arte. Infelizmente, o sistema e os esquemas são perversos, e é necessária muita obstinação para superar tantos percalços. Mas, como grandes artisas que são, terão de alçar vôos altos, sem medo da queda. Aliás, o medo é humano e perfeitamente admissível, mas a ousadia e a dimensão de sua arte têm de superá-lo. Boa sorte e muitos êxitos pra você! Um abraço, Denisson Ventura.

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  2. Obrigado, meu amigo Denisson! Bondade sua. Vamos em frente. Abraço grande pra ti!

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