Cinema Diletante

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Cinema Parasiso - 1988

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Matrix da música brasileira. Aliás, da música mundial

"HERÓI É UM DOS MELHORES DISCOS DE 2011" (Tarik de Souza)

O CD "HERÓI" DE EDU KNEIP E O MANTO SAGRADO 
ESTÁ A VENDA NAS SEGUINTE LOJAS:

Livraria da Travessa (Rio de Janeiro), Arlequim (Rio de Janeiro), 
Livraria Cultura (Porto Alegre, São Paulo e Brasília) 

VEJA O CLIPE DA MÚSICA "TRATAMENTO DE CHOQUE" EM:

  http://www.youtube.com/watch?v=_okWFn0DNy4



  Alô amigos,

  Muito boa noite!

  Gente, qual o mistério do mundo musical por trás dos holofotes de TVs, rádios e grandes veículos de comunicação?

  Bom, antes que comecem a pensar que este será um palavrório de lamentos em torno de falta de espaço para grandes artistas, digo que pode parar que não é por aí. Até porque isso sempre aconteceu no passado e, provavelmente, continuará assim pela eternidade.

  Só fico pensando...

  Pois bem, vou separar, só pra tentar ser mais claro em minha elucubração. Vamos chamar a arte que está mais à vista, mais acessível, de arte do mundo, e a arte escondida atrás de uma cortina midiática, encoberta por uma certa preguiça de se descobrí-la, de arte investigativa.

  Olhando para o que eu faço, me coloco como um artista do mundo, não um artista investigativo, embora muitas vezes faça música com linhas muito próximas à esta arte que estou chamando de investigativa. 

  Me pergunto muito o porque de não existir um interesse maior por esta segunda arte, uma arte que questiona, que provoca, nos coloca em cheque, nos desafia a entendê-la. É um jogo de mais alternativas. É a tal história de que jogo de damas vende mais do que jogo de xadrês.

  Não digo que essa arte incrível, cheia de sutilezas e surpresas, que se descobrem a cada audição, tenha que ser consumida por multidões. Nem digo que ela é melhor que a arte do mundo, até porque esta satisfaz e supre a sede imediata por cultura, seja lá como for. Arte assim, do mundo, é importante.

  O diabo é que quem deveria conhecer arte investigativa, um público, em tese, seleto, não está mais tendo esse espírito de aventura, de procurar a estória diferente, a imagem chocante, o filme aberto, a melodia que vai por um caminho estranho, obscuro e misterioso, para desaguar em belas e originais soluções. Felizardos os que conhecem os filmes de Bergman, Felini, Resnais, Kurosawa e Glauber. É abençoado quem ouve a música de Egberto, Hermetho, Guinga e Edu Lobo, e de Bach, Beethoven, Mozart, e é corajoso quem se aventura nos livros de Guimarães, Cabral de Melo Neto, Shakespeare e Dostoiévski, e no jazz de Duke Ellington, Ella Fitzgerald...

  E quem gosta de filmes desse tipo, com certeza gostará de músicas desse tipo e com certeza gostará de livros desse tipo, quadros... Eu passei por isso. Conhecia a música de algumas dessas feras que citei e queria mais. Mas não conheceia o cinema investigativo, dizia que eram chatos sem nunca ter assistido aos filmes. Quando me livrei do preconceito, percebi claramente que o sentido de tudo aquilo tinha a ver com aquela música que eu gostava, cheia de surpresas e descobertas sensacionais. E lamentei o tempo que perdi até conhcê-los. Agora quero fazer o mesmo com os livros. Não sou ainda grande leitor, mas chego lá...

  A arte que estou chamando de "investigativa", questiona a nossa existência, a nossa sensibilidade e nossa fé em sentimentos nobres e revolucionários, que não estão no ser humano artista, mas sim na arte a qual ele serve de instrumento.

  Essa arte está escondida, cada vez mais. Estamos envolvidos por uma cápsula que, cada vez mais, nos dificulta ter acesso a esse mundo novo e transformador, dessa coisa estranha, que nos provoca, que chama pra briga. Estamos distantes, ainda que tenhamos todo acesso possível por vias tecnológicas incríveis, porém inúteis, face à falta do simples conhecimento sobre a existência dessa arte.

  É como o filme Matrix. Aliás, taí um belo exemplo: é arte do mundo, mas com padrão investigativo de alta categoria!

   Bom, essa foi minha viagem na maionese de hoje.

   Falamos mais na próxima parada.

   Beijos e abraços!

       E não deixem de assistir ao engraçadíssimo clipe da música "Tratamento de choque" no youtube:
 
       http://www.youtube.com/watch?v=_okWFn0DNy4 

2 comentários:

  1. Olá Edu, venho dizer aqui, se é que você ainda acessa o seu próprio blog, que eu venho investigando sua arte do mundo e de alguns "colegas" seus. Já investigava clássicos como os que você citou, mas agora cheguei a gente como você, Thiago Amud, Julio Dain, Pedro Moraes e outros. Digo isso para mostrar que ainda há gente investigando música e das mais difíceis de se ouvir falar! Cheguei a vocês através de um vídeo em que Guinga fala sobre o Thiago Amud.
    Abraço e que vocês continuem compondo cada vez melhor, sendo vanguardistas ou não.

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  2. Olá, meu amigo Vitor Rapaz, estive um pouco ausente sim, escrevendo pouco para este blog, que a vida é corrida e nem sempre é possivel ter a regularidade que desejamos. O ano de 2012 foi difícil, mas em 2013 pretendo estar mais presente. Fico feliz pelo seu interesse na minha música e na música da galera que você citou, que é ótima. Vamos nos falando. Abraço

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