Meus amigos, muito bom dia!
Olha, quem é importante, é sempre muito visado. Caetano Veloso é uma figura muito polêmica, sempre foi e sempre será. Mas se existe uma verdade sobre o cara, é que ele é de uma inteligência e de uma lucidez admiráveis. Além de ser, claro, um gênio como compositor. Embora eu faça minhas críticas à uma certa parcialidade dele com quem está em evidência, seja com os talentosos, seja com os bem assessorados (tem muito artista aí sendo fabricado por produtores espertos), sei que o Baiano é um monstro como criador e um de nossos artistas mais representativos.
Abro o texto assim, enfatizando a grandeza de Caetano, para agradecer e dar os parabéns a ele por seu apoio, declarado no Globo deste domingo, ao movimento e luta dos professores municipais e estaduais do Rio de Janeiro. Disse ele:
"A greve dos professores do Rio é um assunto que deveria estar sendo acompanhado com mais atenção. Educação é o tema mais importante dentre todos os que a sociedade brasileira fez questão de mostrar que a afligem e impacientam. O modo como os professores do Rio vêm sendo tratados pela prefeitura deveria despertar protestos mais audíveis e visíveis. A classe média (e não só a classe média) saiu às ruas muitas vezes recentemente para demonstrar que não está sedada. O clamor por melhoria no tratamento dado à educação, em todos os níveis, foi ponto central dessas movimentações. Que os professores continuem se manifestando, através da greve e de idas em grupo à Câmara dos Vereadores, é sinal de que o essencial do desassossego brasileiro não está amortecido. Levar uma palavra ou um gesto de apoio ao movimento dos profissionais da educação é, neste momento, uma mostra de coerência da parte de quem se mexeu para não deixar tudo como está. Estive viajando e trabalhando muito, por isso não pude ver melhor tudo o que se passa nesse drama. Mas não quero deixar de fazer aqui um aceno em direção os professores grevistas".
Obrigado, amigo Caetano!
O que acontece com a educação agora não é de hoje. Desde que o Brasil foi inventado que a educação pública serve de escada para promessas eleitorais que nunca se cumprem. É uma falácia, uma falsidade e uma falta de vergonha que beira o sadismo. Pois bem, essa geração de professores está dizendo CHEGA! Prometeram? Então agora tá na hora de cumprir, companheiro. A responsabilidade é sua (dos atuais Cabral e Paes, aos outros todos que não largam o osso, Garotinho, Rosinha, Cesar Maia...). Prometeram? Então tá na hora de pagar! Tem que pagar, senão a chapa vai esquentar. Tão achando que daqui a pouco passa? Vai esperando...
"VIDAS SECAS", DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS, É ANTOLÓGICO!!
Há muito que eu estava atrás do filme de Nelson Pereira dos Santos, "Vidas Secas". O Instituto Moreira Salles, em trabalho elogiável, resgatou a obra e a lançou em DVD. Comprei e ontem assisti aqui em casa, no telão do data show. É um filmaço sensacional, ao melhor estilo neo realismo. Uma obra que não deve nada os clássicos do movimento italiano.
O filme abre mostrando a vastidão do deserto nordestino, e bem ao fundo uma família errante que caminha ao léo, em busca de um alento qualquer que possa trazer um fio de esperança à eles. A aridez assusta, junto com a trilha sonora, que tem apenas o som contínuo de um berrante em uma só nota, parecendo o grito da agonia e do desespero nordestino. De cara vemos o sacrifício de um papagaio pela família em favor da satisfação da fome de todos. A mãe Sinhá Vitória diz: "Ele não servia pra nada mesmo. Não sabia nem falar". Da família (pai, mãe e dois filhos) destaca-se a cachorra Baleia, que traz alguma alegria e conforto e caça pequenos animais, ajudando na alimentação.
Depois de muito caminhar, a família finalmente chega a uma pequena comunidade rural. O pai da família, Fabiano, arruma logo emprego e ganha uns cobres. O sonho de conforto volta. Mas Fabiano acaba perdendo tudo em uma jogatina com guardas locais. Estes ainda o provocam e ele acaba preso e agredido na prisão.
Já de volta, a família é dispensada do trabalho e se vê obrigada a voltar à dureza das areais ardentes do sertão. Baleia, a cachorrinha da família, vai perdendo as forças durante o filme e acaba tendo uma morte apoteótica e muito representativa. A cena é impressionante, de uma beleza inesquecível. Assim como todo o filme. Em dado momento, a mulher da família comenta: "que vida é essa, meu Deus? É vida de bicho! É melhor morrer". Ao mesmo tempo, um de seus filhos suspira e repete a palavra "inferno" várias vezes. Mas mesmo com tudo contra, ao final, quando voltam à ser andarilhos no sertão, a esperança se mostra uma força invencível nas palavras dos pais: "Nós ainda teremos vida boa, ainda dormiremos em cama de couro".
Que maravilha conhecer finalmente "Vidas Secas", a lendária obra prima de Nelson Pereira dos Santos!! Afirmo que o filme é um dos cinco melhores que vi na vida! Quem não viu ainda, veja! É um filme inesquecível! A próxima obra a assistir é "Memórias do cárcere". Vamos à ela!
ED GALANTI EM BELO HORIZONTE
Estarei apresentando minha novela policial e musical "Ed Galanti e o tesouro do Morro do Castelo" em Belo Horizonte, no dia 25 de outubro. Tô muito feliz de poder voltar a me apresentar nessa cidade tão especial e que sempre me acolhe carinhosamente sempre que pra lá eu vou. Estou trabalhando para concretizar este projeto da forma que tem que ser, com vídeo junto, que é como imagino ele. Essas apresentações de agora são importantes e funcionam como uma radionovela. A versão que quero fazer é de um filme noir musical, com imagens expressionistas. Em preto e branco.
É isso. Conto mais em breve!
Beijo grande a todos!
Nenhum comentário:
Postar um comentário